A história do Veiga’s Cabeleireiros não se conta apenas através de datas ou espaços físicos. Conta-se sobretudo através de pessoas, de família e de um ofício passado de geração em geração.
Este texto é também um agradecimento sentido ao Mestre Joaquim António Brites Veiga, onde quer que esteja. Cabeleireiro que exerceu e ensinou a profissão durante mais de sete décadas, deixando uma marca profunda em todos os que com ele aprenderam e trabalharam.
Para contar a história do Veiga’s, é importante ser coerente e justo. Não é uma história individual, mas sim um percurso familiar, feito de vivências, aprendizagens e escolhas que moldaram o que hoje existe.
As Origens
Nos anos 30 e 40, o Francisco, tio materno do pai de Carlos Veiga, exercia a profissão de barbeiro no Baixo Alentejo, mais precisamente na Amareleja, que na época era considerada a maior aldeia do país, com cerca de 12 mil habitantes.
Francisco tinha um irmão, António, quatro anos mais velho, que começou a aprender o ofício com ele. Infelizmente, Francisco faleceu muito jovem, aos 19 anos, e foi o tio António quem ficou à frente da barbearia.
Foi nesse espaço que Joaquim Veiga, ainda menino, começou a aprender a profissão. Foi ali, em ambiente familiar, que deu os primeiros passos num ofício que viria a marcar toda a sua vida.
O Caminho até ao Montijo
Ainda nos anos 50, e sendo ainda menor de idade, Joaquim Veiga decidiu alargar horizontes e rumou para junto da capital, nomeadamente para o concelho do Montijo. Aí exerceu a profissão em vários salões e complementava o trabalho com atendimentos ao domicílio nos dias livres, que na época eram sobretudo os domingos e feriados.
Depois de uma passagem pela vida militar, regressou com redobradas forças e lançou-se por conta própria, dando início a um projeto que viria a tornar-se uma referência local.
Um Espaço de Ensino e Profissão
Ao longo dos anos, passaram pelo salão vários profissionais. Uns já com experiência, que absorviam a filosofia e as técnicas da casa. Outros começaram ali do ponto zero, aprendendo tudo desde o início.
Joaquim Veiga era um homem perfeccionista, experiente e exigente consigo próprio e com quem aprendia com ele. As suas características alentejanas, de bons princípios, calma, bons valores e muita paciência, favoreciam o ensino e a compreensão num ambiente propício à aprendizagem.
Desse contexto familiar nasceram profissionais que ainda hoje exercem a profissão em várias zonas do país.
A Continuidade Familiar
Entre os últimos a aprender diretamente com Joaquim Veiga estiveram familiares próximos. O primo direito Domingos Veiga seguiu o seu caminho na Cova da Piedade, em Almada, e os filhos de Joaquim, Carlos Veiga e Dário Veiga, deram continuidade ao ofício no concelho do Montijo.
Carlos Veiga seguiu o seu percurso na Atalaia, Montijo. Dário Veiga abriu salão no Montijo, no Centro Comercial E.Leclerc, com vários colaboradores.
Na Atalaia, localidade onde esteve a sua tia Leopoldina, conhecida como Dina, Carlos manteve viva essa herança. O esposo de Dina, seu tio paterno de boa memória, Francisco Brites Veiga, também havia trabalhado nos anos 60 no salão de Joaquim Veiga, antes de seguir o seu próprio rumo, muito reconhecido no concelho.
Carlos Veiga foi também seu discípulo ao longo da sua evolução profissional.
Um Percurso de Aprendizagem e Evolução
Os primeiros contactos visuais de Carlos Veiga com a profissão começaram aos 11 anos e nunca mais se interromperam. Depois de ter pernas para andar, iniciou uma procura incessante por continuidade e evolução.
Passou profissionalmente pela Lançada durante cerca de 10 anos, trabalhando com o pai e familiares.
Mais tarde esteve em Setúbal, onde teve o primeiro contacto com o cabeleireiro de senhoras, e também em Lisboa, acabando por se fixar na Atalaia.
Um marco na sua experiência foi a passagem pelo então maior salão da Europa, o Sérgio e Margarida, em Picoas. Na época contava com 68 cabeleireiros, cada um com o seu preço de serviços. Hoje, modernizado e otimizado, continua a ser uma referência, com mais de 50 profissionais no mesmo espaço.
A Consolidação na Atalaia
Em 1987, Carlos Veiga passou pela Atalaia durante cerca de três meses para ajudar o tio, que já na altura se encontrava doente. O tio melhorou e Carlos voltou ao seu percurso.
No final de 1989, Carlos regressou à Atalaia, mas devido à impossibilidade do tio continuar a exercer, foi realizado o trespasse do espaço. Carlos Veiga manteve-se nesse local até 1997.
A 1 de setembro de 1997, deu-se a mudança para novas instalações na mesma localidade: um espaço novo, mais moderno, de maiores dimensões, com cerca de 70 m², pensado para responder às exigências da profissão e dedicado ao conforto e bem-estar do cliente.
O Presente e a Equipa
Hoje, o Veiga’s continua a ser um espaço de cariz familiar. A equipa integra Carlos Veiga, a sua esposa Lisete Sousa Veiga, e o estagiário Miguel Sousa, com formação e vontade de progredir.
As filhas, Cátia Veiga e Inês Veiga, também passaram pelo salão, a laborar connosco e a ganhar experiência de vida. A Inês acabou por seguir outro caminho, na estética canina, numa escolha contada com humor e carinho familiar.
A equipa obedece a cuidados padrão de especialização, com carteiras profissionais e atualização constante. Workshops, reciclagens, formações, atualizações e acompanhamento das tendências fazem parte do percurso, sempre com o cuidado de adaptar as técnicas às realidades, características e necessidades de cada cliente.
Todos procuramos manter-nos atentos a novas propostas e, quando faz sentido, entra também a vertente de consultadoria de imagem. O diálogo entre cliente e profissional é fundamental para que o resultado final seja o desejável: cabelo saudável, valorização dos pontos positivos do rosto, respeito pelas características do cabelo e pelas exigências da vida atual, e a capacidade de responder com equilíbrio e bom gosto.